O meu filho não come... O que fazer?

Ter um filho que não tem fome ou não gosta de nada é motivo de angústia para os pais. Leia estes conselhos com atenção.
Publicado por: Paulo Aguiar Venâncio em
Tags: falta de apetite , lanches , pouca fome , pouco apetite , sopa

Uma das principais dificuldades que os pais com crianças em idade pré-escolar (1 a 6 anos) têm está relacionada com os filhos terem falta de apetite e gostarem de poucos alimentos. Muitas vezes têm razão mas é preciso ter cuidado para que a preocupação não seja exagerada. O apetite diminui nesta fase porque, ao entrar no 2º ano de vida, o ritmo de crescimento da criança abranda e, por consequência, a sua necessidade de calorias diárias também. Isso reflete-se no seu apetite. A falta de apetite pode ocorrer por outros motivos, como por exemplo, para chamar a atenção, porque as crianças percebem a importância que os pais dão à refeição.

Ensinadas desde pequenas, as crianças podem aprender a gostar de qualquer tipo de alimento. Como mudar hábitos é sempre difícil, seguem abaixo algumas noções que os pais devem ter em conta e estratégias que ajudam a superar as dificuldades no que toca às refeições.

 

12 factos que não ajudam a que a criança coma bem

  1. Os pais oferecerem muita comida, sem terem em conta o tamanho do estômago da criança;
  2. O intervalo entre as refeições ser irregular, muito pequeno ou cheio de "petiscos". A criança não come porque não tem fome;
  3. Nestas idades, o mundo em redor é muito mais interessante e curioso e um ambiente barulhento e confuso durante a refeição não ajuda. A criança não consegue concentrar-se no ato de comer;
  4. A criança perceber que, se recusar a comida, os pais irão fazer diversos malabarismos para que ela coma. Ela prefere então divertir-se e não comer;
  5. Os pais ficarem tão aflitos porque os seus filhos não comem que trocam a refeição por lanches ou outras guloseimas. Quando a criança entende o processo, faz chantagem para receber o "prémio";
  6. Os pais fazerem promessas como "se comeres tudo, recebes um chocolate" só servem para superestimar o doce e diminuir o valor da comida;
  7. A comida não estar saborosa (sem sal e temperos). A criança está aborrecida porque quer ter prazer em comer;
  8. Repetir a ementa todos os dias. É natural que a criança acabe por se desinteressar pela comida;
  9. A ansiedade transmitida para que o filho se alimente, passando esta angústia para ele e interferindo na sua vontade de comer;
  10. Apesar de serem mais fáceis de ingerir, papinhas passadas não estimulam o bebé a mastigar e a reconhecer o sabor dos alimentos e não desenvolvem o paladar;
  11. Não respeitar o gosto da criança. As características funcionais das papilas gustativas são determinadas geneticamente. Isso significa que, ao nascer, a criança já tem algumas preferências (e aversões) alimentares que precisam ser tidas em consideração;
  12. A criança ter dentes a nascer. A gengiva fica sensível e é mais difícil mastigar os alimentos. Muita calma (e paciência) nesta fase!

 

Como podem os pais prevenir/resolver a falta de apetite?

  • Estabeleçam horários para as refeições e para os lanches, com intervalos de 2/3 horas para crianças entre 1 e 6 anos e de 3/4 horas para os que estão em fase escolar;
  • Não troquem a refeição principal por outro alimento. Se a criança não quiser comer, aguardem meia hora ou uma hora e ofereçam-lhe novamente a mesma comida. Se ainda assim ela recusar, esperem mais tempo até que ela dê sinais de estar com fome. Mas certifiquem-se de que gosta do que está a ser oferecido;
  • As crianças trocam facilmente a refeição por sumos. Por isso, os pais devem limitar a ingestão de líquidos (sumos e água) durante a refeição (antes ou depois dela podem permitir). A capacidade gástrica das crianças é limitada e não vale a pena enchê-las de líquido. Esperem que a criança coma parte da refeição para então oferecer sumo ou água;
  • Sejam um bom exemplo: a influência do ambiente em que ela vive, o exemplo dos pais e as experiências positivas ou negativas podem ser mais fortes que a genética;
  • Não insistam em demasia. Os pais acham quase sempre que o seu filho está a comer pouco e acabam por forçá-lo a comer mais do que ele precisa ou aguenta. A oferta de um volume de alimentos maior do que a capacidade gástrica da criança diminui o prazer de comer do bebé e aumenta a ansiedade dos pais para além de poder desencadear patologias, como a obesidade;
  • Evitem malabarismos como "o aviãozinho". Inventar técnicas para fazer o filho comer, como distrair com um brinquedo ou com a televisão ligada e camuflar o alimento não educam para o prazer de se comer bem. Podem até funcionar na hora, mas perdem rapidamente o seu efeito. A hora de comer é hora só de comer, prestando atenção aos sabores, texturas, aromas e cores;
  • Substituam o alimento recusado por outro do mesmo grupo nutricional. Se insistem nos brócolos mas o bebé cospe tudo ou provoca o vómito, tente dar espinafres. Rejeita o feijão? Ofereçam a lentilha ou o grão-de-bico. Insistir exageradamente num alimento específico pode diminuir o prazer de comer, reforçando a falta de apetite;
  • Não tenham medo de impor limites. Resistam às birras e estabeleçam limites, seguindo horários fixos para fazer as refeições e insistindo numa alimentação nutritiva;
  • Não cedam à chantagem da "greve de fome". Ele não quer comer o jantar e insiste em comer bolachas. Para não deixar o miúdo de barriga vazia, aceitam a chantagem e deixam-no "lambuzar-se" à vontade, depois de prometer que vai comer na próxima refeição. Sabem o que vai acontecer? No dia seguinte, o seu espertíssimo filho vai recorrer à mesma tática, negando-se a comer o que é certo, em troca dos seus alimentos preferidos;
  • Não deixem os lanchinhos estragarem a disciplina. À hora do almoço ele não quis comer nada, mas uma hora depois está a pedir o lanche e enche-se de bolachas. Não deixem! Sejam firmes: se a criança disse que estava sem fome ao almoço, vai ter de esperar até a hora certa do lanche e quando ela chegar, vai ter que se contentar com a quantidade correta, mesmo que a fome seja maior. Continua com vontade? Ensinem-lhe a guardar a "fome" para o jantar. Depois de alguns dias, o seu filhote vai perceber que não tem sorte com o jogo e é melhor comer o almoço inteiro para não ficar com vontade depois.