"O descanso é o melhor remédio para as doenças de coração": verdade ou mito?

Conheça as respostas para algumas das crenças populares sobre as doenças cardiovasculares e saiba como estas podem influenciar o seu bem-estar.
Publicado por: Maria João Figueiras em 28 de Novembro 2017
Tags: coração , doenças cardiovasculares
Crenças populares sobre as doenças cardiovasculares

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares, que afetam os vasos sanguíneos e o coração, são a principal causa de morte no mundo inteiro e mais de metade de todas as causas de morte na Europa.

 

Considera-se que a causa das doenças cardiovasculares pode ter diversos fatores:

  • Genéticos
  • Fisiológicos
  • Comportamentais
  • Do meio

 

Alguns destes fatores, denominados de fatores de risco coronário, são considerados fixos ou imutáveis, como é o caso do aumento da idade e de fatores genéticos como a história familiar de doenças cardiovasculares.

As pessoas que têm este tipo de doenças ou que estão em risco de vir a ter, devido a fatores de risco conhecidos (por exemplo: hipertensão, colesterol elevado, diabetes), devem ser diagnosticadas o mais cedo possível e desenvolver estratégias de gestão da doença, que necessitam de aconselhamento clínico e medicação adequada prescrita pelo médico.

 

Fatores de risco controláveis

As doenças cardiovasculares podem ser prevenidas ou evitadas se forem considerados outros fatores de risco, dependentes de comportamentos que podem ser alterados:

  • hábitos tabágicos
  • más práticas de regime alimentar
  • colesterol elevado
  • hipertensão arterial (HTA)
  • diabetes
  • obesidade e a distribuição de gordura
  • consumo excessivo de álcool
  • sedentarismo

 

Estes fatores influenciam significativamente a probabilidade de um indivíduo desenvolver doenças cardiovasculares e estão direta ou indiretamente relacionados com o estilo de vida e com crenças específicas sobre as doenças.

 

Crenças sobre a saúde e a doença

As crenças individuais sobre as doenças têm demonstrado uma forte influência sobre a adoção de mudanças comportamentais e, consequentemente, de estilo de vida.

Está provado cientificamente que a forma como pensamos influencia o nosso comportamento. As nossas crenças individuais orientam muito dos nossos comportamentos e relacionam-se com o contexto sociofamiliar onde estamos inseridos.

Relativamente às doenças, estas crenças estão constantemente a ser atualizadas à medida que captamos novas informações dos meios de comunicação, das redes sociais e das práticas de saúde dos que nos rodeiam. Contudo, muitas vezes estas informações são distorcidas ou erradas e podem ter um efeito negativo na forma como se lida com a saúde em geral e com a doença em particular.

 

Ideias erradas sobre as doenças cardiovasculares

A identificação de crenças específicas sobre as doenças cardíacas é muito relevante pois, infelizmente, algumas dessas crenças são erradas. Isso pode ter um efeito negativo no que se refere, por exemplo, à procura de cuidados de saúde, à adoção de comportamentos saudáveis ou até na qualidade de vida dos indivíduos.

Os pacientes possuem crenças específicas (que passam muitas vezes despercebidas aos profissionais de saúde) sobre os fatores que causaram a doença e sobre como devem modificar os seus comportamentos para lidar com a mesma. Estes fatores podem resultar em comportamentos que afetam negativamente a saúde dos indivíduos.

Exemplos comuns referem-se às razões pelas quais as pessoas não regressam ao trabalho após um ataque cardíaco, não fazem exercício, não retomam atividades sociais, ou atribuem a causa ao stress.

 

É importante desmistificar alguns mitos que são partilhados e reforçados no contexto social e que podem ter efeitos negativos na saúde.

 

"O descanso é o melhor remédio para as doenças de coração"

É importante clarificar esta crença junto dos profissionais de saúde de forma a que o individuo possa ajustar a prática de atividade física à sua condição clinica, de acordo com os conselhos do seu médico assistente.

O descanso é por vezes confundido com inatividade, conduzindo a níveis de sedentarismo que são prejudiciais para as doenças cardiovasculares.

 

"O stress é o principal responsável pela minha doença"

Sendo conhecida a relação entre níveis de stress e probabilidade de ocorrência de doenças, é importante clarificar que é difícil conceber uma vida sem stress. Por isso, o stress é muitas vezes "o responsável", quando o que está na base do episódio de doença são os comportamentos que temos para lidar com o stress (por exemplo: fumar, beber, ter uma alimentação pouco saudável, entre outros). Devemos investir em estratégias de gestão de stress e na adoção de comportamentos saudáveis.

 

"Um estilo de vida saudável implica fazer desporto"

Há uma diferença muito importante entre desporto e atividade física. O objetivo principal da atividade física prende-se com a promoção de um estilo de vida saudável e a manutenção da saúde. Esta atividade deve ser ajustada à condição física e características do individuo e definida a partir da avaliação por um profissional qualificado.

 

É importante discutir estes mitos com os profissionais de saúde para que possam ser desmistificados, de forma a promover uma recuperação mais rápida e positiva nos pacientes e promover comportamentos saudáveis na comunidade.