Como conviver com o autismo

Aprenda a estimular o desenvolvimento de crianças e pessoas autistas.
Publicado por: CUF em
Tags: autismo , competências sociais , comunicação , desenvolvimento infantil , desenvolvimento social , síndrome de asperger
Autismo

Estima-se que, em Portugal, uma em cada 1000 pessoas tenha autismo, uma perturbação global do desenvolvimento que se manifesta nos primeiros anos de vida, complicando o desenvolvimento social, comportamental e comunicacional. É uma condição que tem sido cada vez mais reconhecida em todo o mundo nos últimos anos, e que atinge quatro a cinco vezes mais rapazes do que raparigas.

Como em outras perturbações do género, o mais importante é identificá-la precocemente, de modo a adaptar a educação da criança às suas necessidades e estimular desde cedo o seu desenvolvimento.

 

Como identificar uma pessoa autista

Os primeiros sinais de autismo verificam-se nos primeiros meses e anos de vida. Esteja atento caso o seu filho:

  • Evite com frequência o contacto visual
  • Não responda ao nome ou tenha dificuldade em compreendê-lo
  • Não aponte para pedir ou mostrar aos 18 meses
  • Não desenvolva devidamente a fala
  • Repita constantemente os mesmos movimentos e atividades (ex.: abanar as mãos, rodar, abrir e fechar portas de armários, alinhar objetos)

 

Saliente-se, no entanto, que, nas formas menos graves, as crianças com autismo são capazes de comunicar e até podem exibir capacidades intelectuais superiores à norma, isto embora mantenham perturbações sociais e comportamentais.

 

Alguns dos comportamentos geralmente exibidos por pessoas com autismo:

  • Isolam-se com frequência ou desenvolvem atividades paralelas
  • Têm dificuldade em compreender gestos, emoções e expressões faciais
  • Interagem de forma estranha ou não conseguem manter uma conversa
  • Por vezes apresentam discurso repetitivo
  • Podem apresentar movimentos rígidos ou descoordenados
  • Têm interesses restritos
  • Têm tendência para obedecer a rituais e ficam perturbados com alterações na rotina

 

Atenção!

Algumas crianças apresentam alguns destes comportamentos de forma transitória ou por outras causas. Se tiver dúvidas ou preocupações a este nível, procure marcar uma consulta de pediatria do desenvolvimento, a fim de vigiar e avaliar o desenvolvimento psicomotor do seu filho.

 

De tipo de autismo a espectro

Atualmente já não se fala propriamente de "tipos de autismo" mas sim da ideia de um espectro, ou seja, que pode existir um contínuo de alterações do comportamento, desde as formas mais ligeiras até às formas mais graves.

As formas mais ligeiras correspondem ao célebre Síndroma de Asperger, em crianças que não tiveram um atraso importante na linguagem e podem revelar algumas competências até acima da média. Contudo, apresentam os problemas na interação social e interesses restritos comuns às perturbações autísticas.

 

Como conviver com pessoas autistas

O diagnóstico precoce do autismo é fundamental para iniciar atempadamente o tratamento. Isto porque, embora se costumasse pensar que o autismo era irreversível, hoje sabe-se que as crianças podem melhorar muito com a intervenção precoce. Esta intervenção passa por uma estimulação e apoio de técnicos com experiência nesta área, de forma a que a criança desenvolva as suas competências de comunicação e aprendizagem, interesses mais variados, maior autonomia nas atividades do dia a dia, e que diminua os comportamentos indesejados.

 

Alguns dos comportamentos que deve adotar para estimular as crianças autistas:

  • Atraia a atenção da criança antes de iniciar uma conversa com ela. Isto pode ser alcançado através de desenhos, por exemplo.
  • Utilize palavras claras, breves e simples sempre que se dirigir a ela ou lhe pedir alguma coisa. Isto faz com que seja mais fácil para a criança imitar o seu discurso. À medida que a criança for aprendendo a utilizar corretamente as palavras, vá aumentando o vocabulário.
  • Seja paciente e dê-lhe tempo para fazer as coisas e responder às perguntas. Não termine as falas por ela. Em vez disso, dê o exemplo, respondendo prontamente a qualquer questão que ela lhe faça.
  • Imite a criança e utilize a imitação para comunicar com ela, introduzindo depois alguma novidade na ação. Da mesma forma, pode ser preciso respeitar alguns dos seus rituais para não a desorganizar, mas tentando introduzir alguma flexibilidade ao longo do tempo.
  • Brinque com a criança e aproveite para potenciar a interação com ela. As crianças podem aprender bastante através das brincadeiras.
  • Não invada o seu espaço pessoal. Aceite que a criança com autismo precisa, por vezes, de algum tempo a sós, em sossego.
  • Mantenha por perto objetos que a acalmem sempre que estiver ansiosa, especialmente em situações sociais potencialmente sensíveis.
  • Exponha-a gradualmente a situações de maior dificuldade.

 

Sabia que...

Em alguns casos, o autismo também pode ser tratado com medicamentos que melhoram a hiperatividade, o défice de atenção ou a irritabilidade. Quando existem crises epiléticas (em aproximadamente 20% das pessoas com autismo), estas devem igualmente ser tratadas com medicamentos apropriados.