Atividades extracurriculares q.b.

Equilíbrio é a palavra de ordem quando se fala em aulas, atividades extracurriculares, tempo livre e sono.
Publicado por: CUF em
Tags: atividades extracurriculares , cansaço , fadiga , sono das crianças , sono insuficiente e desenvolvimento , tempos livres

Equilíbrio é a palavra de ordem quando se fala em aulas, atividades extracurriculares, tempo livre e sono.

Hoje em dia, à semelhança do que acontece com os adultos, a maior parte das crianças tem uma agenda sobrecarregada. São muito os pais que fazem uma ginástica financeira meticulosa para que o orçamento mensal "estique" de forma a abranger a mensalidade de atividades extracurriculares que contribuam para o bem-estar físico, cognitivo e emocional dos filhos e que possa, de alguma forma, prepará-los para o sucesso académico e profissional.

Outro fator de peso é que a maioria dos pais tem um horário de expediente para cumprir, o que leva a que as atividades extracurriculares surjam também como uma espécie de "boia de salvação", isto é, uma forma útil e segura de as crianças estarem ocupadas quando não se encontram na escola.

 

Como escolher atividades extracurriculares adequadas ao seu filho? 

As atividades extracurriculares devem corresponder aos interesses da crianças (e não aos dos pais), para que sejam um prazer e não uma obrigação. No entanto, um critério a ter em conta é que, tal como o nome indica, as atividades extracurriculares devem complementar o currículo escolar, isto é, incidir numa área não abrangida pelas disciplinas tratadas na escola (por exemplo, aprender a fazer judo ou a tocar guitarra) e que proporcione uma nova aprendizagem à criança.

Ainda um outro aspeto a considerar é que as atividades extracurriculares devem constituir uma oportunidade para a criança entrar em contacto com outras realidades, fazer novos amigos e desenvolver as suas competências sociais.

 

Perigos do excesso de atividades extracurriculares 

Diane Ehrensaft, psicóloga clínica e autora de vários livros sobre desenvolvimento infantil, afirmou numa entrevista à revista Psychology Today que as crianças americanas de classe média têm um horário tão sobrecarregado com atividades extra que não dispõem de tempo para estarem, simplesmente, sem fazer nada ("nothing time"), o que lhes é prejudicial.

Por seu turno, um relatório de 2012 da American Academy of Pediatrics (AAP) reforçou que as crianças precisam de brincar e de ter tempo livre. Brincar, entre outros benefícios, estimula o desenvolvimento emocional da criança. A perda de tempo livre, combinada com um estilo de vida acelerado, pode ser uma fonte de stresse, ansiedade e, até, depressão.

 

A quantidade ideal 

Não existe uma medida certa e o que deve imperar é o bom senso. Idealmente, no início do ano letivo e antes de inscreverem as crianças em atividades extracurriculares, os  pais devem avaliar se estas vão roubar tempo ou substituir rotinas fundamentais. Referimo-nos a dormir, comer, ir às aulas, fazer os trabalhos para casa/ estudar, brincar e estar com a família.

Essa planificação pode ser testada por escrito, através da criação de uma grelha com o horário semanal da criança. Só depois de verificarem que há horas que não estão preenchidas e que a distribuição do tempo é equilibrada é que os pais devem avançar para a inscrição da criança em atividades extracurriculares.