O cancro da mama na mulher jovem

Incutir confiança e transmitir serenidade são dois passos importantes na relação com mulheres jovens com cancro da mama.
Publicado por: Noemia Afonso em 30 de Outubro 2017
Tags: cancro da mama , cancro , oncologia

O número de diagnósticos de cancro da mama em mulheres jovens, especificamente em idade inferior a 40 anos, constitui cerca de 7% de todos os casos. Pode parecer uma percentagem reduzida, mas se considerarmos a elevada frequência do cancro da mama na população feminina (um caso em cada sete/oito mulheres), percebemos que um número considerável de mulheres terá de lidar com esta doença numa fase em que tem a vida ainda em construção, com grandes exigências, nomeadamente a nível familiar e profissional.

 

A importância do rastreio e da vigilância

O rastreio populacional, como medida de saúde pública, não está preconizado para idades tão jovens, o que é justificado pela baixa incidência deste cancro nesta fase da vida. Assim, é necessário reforçar a atenção destas mulheres e dos seus médicos para a vigilância, com alerta em caso de ser detetada qualquer alteração localizada à mama, como:

  • Nódulo(s);
  • Alteração do volume ou assimetria;
  • Alteração do aspeto da pele ou do mamilo;
  • Escorrência mamilar.

 

Atenção!

É importante não desvalorizar estas queixas e prosseguir para meios adequados de avaliação.

 

O diagnóstico e o tratamento

A informação completa sobre o cancro da mama, que inclui a extensão da doença e a caracterização biológica das células, é indispensável para que a equipa médica defina o tratamento, que poderá incluir uma ou mais estratégias:

  • Cirurgia;
  • Radioterapia;
  • Quimioterapia;
  • Terapêutica "dirigida";
  • Hormonoterapia.

 

O impacto na sua vida e a importância de ser mãe

Estes tratamentos, por vezes prolongados no tempo, podem associar-se a efeitos que interferem negativamente com a vida da mulher, com a imagem feminina e com o seu papel no ambiente familiar, profissional e social.

Hoje, com os avanços da cirurgia mamária, as técnicas utilizadas apresentam melhores resultados estéticos, considerando o recurso a cirurgia plástica quer na abordagem cirúrgica inicial, quer numa fase posterior para reconstrução mamária, em função da situação clínica.

Na mulher jovem acresce a perturbação de planos do futuro, de que se destaca a maternidade, pelo impacto que a quimioterapia poderá ter na fertilidade. Neste caso, importa falar com a doente sobre sobre a possibilidade de recurso a uma das diferentes de preservação da fertilidade, que aumentam a probabilidade de ter, no futuro, uma gravidez bem-sucedida.

 

A relevância do apoio psicológico e social

Para favorecer o equilíbrio e reajuste do ambiente familiar de uma mulher jovem, particularmente quando já é mãe de filhos pequenos, o apoio psicológico é fundamental. Se necessário, as crianças e outros familiares próximos devem também ser orientados para o apoio psicológico profissional.

É, igualmente, importante referir a responsabilidade da comunidade social, a garantia de conservação do emprego e o apoio à reintegração no mundo do trabalho, assegurando que estas mulheres não sejam vítimas de discriminação negativa no que se refere a oportunidades e condições profissionais.

 

E se o seu cancro for genético?

Nestas doentes, particularmente se muito jovens, com história familiar e particularmente em alguns subtipos biológicos, deve ser considerada a possibilidade de se tratar de cancro de causa hereditária, com origem genética. Neste grupo destacam-se as mutações associadas aos genes BRCA1 e BRCA2. A discussão com a doente sobre as implicações de ser portadora de uma destas mutações, quer a nível pessoal, quer nos seus familiares próximos, deve ser prévia à decisão de prosseguir com o estudo genético.

Apenas uma percentagem menor destas doentes será portadora de uma destas mutações, mas a essas e aos seus familiares deve ser oferecida toda a informação e apoio médico, de várias especialidades, para decisão relativa a intervenções preventivas que reduzam a probabilidade de ocorrência de doença oncológica no futuro. Em alternativa, poderá ser estabelecido plano de vigilância intensivo, clínico e imagiológico, que garanta a deteção precoce de alterações suspeitas.