Psoríase: o que deve saber

As causas, sintomas e tratamento desta doença que afeta cerca de 250 mil portugueses.
Publicado por: CUF em
Tags: doença autoimune , doença inflamatória , doença inflamatória crónica , psoríase
Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória sistémica. Ao contrário do que é vulgar pensar, não é contagiosa. Trata-se de uma patologia genética autoimune, crónica, cíclica, e que pode ter um impacto profundo na autoestima do doente.

Descubra mais sobre esta doença que afeta dois a três por cento da população e que pode surgir associada a outras doenças.

 

As causas

A psoríase pode surgir em qualquer idade, embora pareçam existir dois picos de incidência: em adultos jovens e depois dos 40 anos. Afeta ambos os sexos. Desconhece-se a causa exata da psoríase, embora se saiba que existe uma ligação entre alterações imunitárias, hereditariedade e fatores ambientais desencadeantes.

 

O que se sabe mais sobre psoríase

O stresse, alguns tipos de fármacos e fatores que afetem o sistema imunitário podem desencadear a psoríase.

Sabe-se que esta doença é mais frequente em países frios - a ausência da luz solar e uma maior secura da pele provocada pelas baixas temperaturas e a exposição a aquecimentos podem favorecer o desenvolvimento de psoríase.

 

Excesso de peso e psoríase

Segundo investigadores departamento de Dermatologia do Baylor University Medical Center, em Dallas, nos EUA, julga-se também existir uma ligação entre excesso de peso e psoríase (já que o excesso de peso/obesidade está presente em muitos doentes com psoríase), o que poderá ser explicado pelo facto da obesidade poder provocar inflamação crónica, que, por sua vez, pode agravar a psoríase. Como o corpo tende a produzir mais células de gordura como resposta ao aumento da inflamação, torna-se ainda mais difícil controlar o peso.

 

Vários tipos de psoríase

Existem diversos tipos de psoríase, desde a psoríase em placas à artrite psoriática (que é extremamente incapacitante por afetar as articulações, deformando-as e provocando dor), entre outros.

 

Como se manifesta a psoríase

A psoríase pode ter vários tipos de manifestações, consoante o tipo. As mais comuns são lesões com relevo, infiltração, descamação e vermelhidão. As zonas do corpo mais afetadas são os joelhos, cotovelos, unhas, costas e couro cabeludo. A face também pode ser afetada, assim como os órgãos genitais.

Na presença destes sintomas, não deixe de consultar um dermatologista - existem, atualmente, unidades hospitalares de psoríase com equipas focadas exclusivamente nesta doença.

 

Impacto familiar, social e profissional

Além do impacto causado pelas manifestações cutâneas e pela doença em si, que pode ser limitativa, a psoríase é uma doença que envolve grande desconhecimento e preconceito, o que pode levar a que o doente seja excluído, se sinta isolado ou escolha mesmo isolar-se, já que ainda são muitas as pessoas que acreditam que se trata de uma doença contagiosa.

É importante que os doentes assumam a doença, falem sobre ela (procurando um grupo de apoio, por exemplo) e tentem adotar uma atitude pró-ativa e positiva.

 

Diagnóstico e tratamento

Na maior parte dos casos, o diagnóstico é realizado por observação clínica mas, em certos casos, pode ser necessária a realização de exames complementares de diagnóstico. O médico também vai necessitar de saber o historial familiar do doente - muitos doentes com psoríase têm um familiar que também sofre desta doença.

A definição do tratamento a instituir tem como objetivo evitar crises durante o maior período de tempo possível. Dependendo da gravidade da psoríase, esta pode ser tratada com cremes, pomadas, loções, fototerapia, terapêuticas sistémicas ou tratamentos biológicos.

Os mesmos investigadores do Baylor University Medical Center referem que é importante integrar o exercício físico na terapêutica da psoríase, uma vez que ajuda os doentes a controlar o peso. Outros benefícios do exercício físico são que ajuda a reduzir o risco de doença cardíaca, que é mais elevado em doentes com psoríase, e ajuda a aliviar o stresse/sintomas depressivos.

No entanto, a prática de exercício físico deve sempre ser iniciada sob supervisão médica.

 

Controlo da doença

Existem cuidados essenciais que o doente deve adotar:

  • Vigiar a doença e seguir a terapêutica prescrita;
  • Consultar o médico de acordo com a periodicidade estabelecida por este;
  • Conhecer os fatores desencadeantes e evitá-los para prevenir crises;
  • Aplicar exclusivamente os produtos hidratantes e/ou champôs recomendados pelo médico;
  • Fazer uma alimentação equilibrada e evitar as gorduras saturadas;
  • Evitar e aprender a gerir o stresse;
  • Praticar exercício físico regularmente;
  • Não fumar;
  • Não ingerir bebidas alcoólicas.

 

Sabia que...

O sol tem uma ação benéfica nas lesões mas o doente deve sempre usar um protetor solar com um fator de proteção elevado e nunca inferior a 30 - aconselhe-se com o seu médico. Evite uma exposição solar prolongada e não se exponha ao sol entre as 11 e as 16 horas.