Esquizofrenia: quais são os sinais de alarme?

Mantenha-se atento a eventuais sintomas e saiba quando deve pedir ajuda especializada.
Publicado por: CUF em 10 de Março 2017
Tags: esquizofrenia , irritabilidade , isolamento , paranoia

A esquizofrenia é uma doença mental complexa que reflete alterações no funcionamento cerebral. Embora as causas não sejam conhecidas, sabe-se que, além da genética, outros fatores, nomeadamente ambientais, têm sido implicados na sua etiopatogénese e, embora não haja ainda consenso sobre esta matéria, parece tratar-se de uma doença do neurodesenvolvimento, presente desde o nascimento mas com manifestações tardias.

Estas surgem, geralmente, na adolescência ou no início da idade adulta (entre os 15 e os 25 anos), podendo contudo manifestar-se mais tarde, após os 40 anos. Estima-se que atinja cerca de 1% da população mundial.

A esquizofrenia pode ser altamente incapacitante. Se não for precocemente detetada e tratada, pode afetar de modo significativo a vida emocional, familiar, social, escolar e laboral do indivíduo.

 

Sintomas iniciais da esquizofrenia

É na adolescência (ou pouco após esta) que geralmente aparecem os primeiros sinais de esquizofrenia. Os sintomas são, contudo, muitas vezes confundidos com comportamentos habituais da idade, o que faz com que a doença nem sempre seja diagnosticada de forma atempada. Alguns dos sintomas iniciais de esquizofrenia incluem:

  • Isolamento social;
  • Irritabilidade;
  • Paranoia;
  • Tristeza constante ou depressão;
  • Apatia;
  • Perda de memória;
  • Dificuldade de concentração.

 

A esquizofrenia pode manifestar-se através de um conjunto de sintomas que envolvem alterações do pensamento, da perceção, do comportamento e do afeto. O discurso pode tornar-se repetitivo, incoerente ou incompreensível. A perceção sensorial pode estar alterada, ocorrendo, por exemplo, alucinações auditivas ou visuais. A resposta emocional pode estar diminuída e a distinção entre realidade e fantasia pode estar comprometida.

 

Classicamente, os sintomas dividem-se em duas categorias: sintomas negativos, que refletem uma perda ou diminuição das funções normais, e sintomas positivos, que acrescentam ou adicionam algo a essas funções.

 

Sintomas positivos

Existem dois tipos de sintomas positivos:

 

  • Delírios
    As pessoas com esquizofrenia têm, com frequência, convicções ilusórias que recusam a abandonar mesmo quando lhes são apresentavas provas concretas de que estão erradas. Podem, por isso, desenvolver paranoias, ter delírios persecutórios, místicos, de grandeza ou convencer-se que são outras pessoas.

 

  • Alucinações
    Outro sintoma relativamente comum entre as pessoas com esquizofrenia é a sensação de que estão a ver, ouvir, cheirar, saborear ou tocar em coisas que não estão realmente lá. A mais frequente destas alucinações sensoriais é, por exemplo, ouvir vozes, muitas vezes críticas ou de comando.

 

Sintomas negativos

A esquizofrenia pode ter sintomas que se traduzem por défices. Há algo que está "em falta". As pessoas afetadas pela doença podem:

  • Isolar-se da família e dos amigos e evitar atividades sociais;
  • Ter dificuldade em sentir ou expressar emoções;
  • Sentir falta de energia e motivação;
  • Deixar de ter interesse nas atividades do dia a dia.

 

Atenção!

A esquizofrenia, considerada uma doença com evolução crónica, pode contudo ser devidamente controlada com o tratamento adequado. Se conhece alguém que possa sofrer desta doença, aconselhe a sua observação por um médico psiquiatra. A sua evolução mais ou menos favorável depende de um diagnóstico precoce e de um tratamento atempado.