Perdas urinárias no pós-parto: o que fazer?

As perdas involuntárias de urina no pós-parto são muito comuns, o que não torna o problema menos desagradável. A boa notícia é que tem solução.
Publicado por: CUF em 24 de Maio 2017
Tags: incontinência urinária , perda urinária , pós-parto , urina
Perdas urinárias no pós-parto: o que fazer?

A incontinência urinária no pós-parto caracteriza-se por perdas involuntárias de urina nas mulheres que foram mães, devido a alterações do pavimento pélvico, que suporta a bexiga e controla os esfíncteres. Essas alterações dificultam o controlo da micção e levam a perdas involuntárias de urina.

As perdas urinárias acontecem com ações simples do dia a dia, como tossir, espirrar, rir ou baixar-se para apanhar um objeto.

 

Epidemiologia

Segundo um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, cerca de 20% das mulheres portuguesas continuam a ter perdas involuntárias de urina seis meses depois do parto.

 

Fatores de risco

  • Aumento excessivo de peso durante a gravidez/obesidade;
  • Parto normal ou vaginal (sobretudo quando é instrumentado e prolongado).

 

Sabia que…

Ter um parto normal aumenta até 15 vezes o risco de sofrer de incontinência urinária pós-parto. Estão em desenvolvimento instrumentos para avaliar a força da musculatura pélvica e simular o efeito de um parto normal.

A presença de incontinência urinária durante a gravidez ou pós-parto é um preditor de incontinência urinária no futuro, mesmo quando esta se resolve espontaneamente após este período.

 

Tratamento

Na maior parte das situações, a incontinência urinária resolve-se naturalmente nos seis meses seguintes ao parto. Contudo, há situações em que esta se prolonga e os músculos pélvicos não conseguem cumprir a sua função. Com o passar dos meses, aumenta o risco de a incontinência se manter vários anos após o parto, tornando-se crónica. O tratamento poderá passar por:

  • Alteração dos estilos de vida: perda de peso, alimentação saudável, evicção de alimentos irritantes;
  • Ir mais vezes à casa de banho e treinar a bexiga;
  • Exercícios/fisioterapia;
  • Fármacos;
  • Cirurgia.

 

Exercícios de fortalecimento

 

1. Exercícios de Kegel

  • Para começar, identifique os músculos em questão. Vá à casa de banho e suspenda o fluxo de urina. Sentirá que alguns músculos se contraem. Esses são os músculos que terá de exercitar, seja deitada, em pé ou sentada.
  • Respire tranquilamente. Quando inspirar, a barriga deve elevar-se; quando expirar, deve baixar. Ao expirar, contraia com força os músculos do pavimento pélvico, como se estivesse a impedir a saída da urina, durante alguns segundos.
  • Repita várias vezes, mantendo a contração durante cada vez mais tempo. Faça-o duas a três vezes por dia.

 

2. Outros

  • Deite-se de barriga para cima, com as pernas dobradas e os calcanhares apoiados no chão e contraia bem os músculos pélvicos.
  • Ainda deitada, movimente os músculos da pélvis para a frente e para trás varias vezes seguidas.
  • Na mesma posição, coloque uma almofada entre as pernas e aperte-a, juntando o mais possível os joelhos.
  • Faça estes exercícios várias vezes por dia, antes e imediatamente após o parto. Transforme-os numa rotina.

 

Atenção!

A dificuldade no controlo das micções pode durar anos após o nascimento do bebé, com implicações a nível físico e emocional, interferindo no sono, no trabalho e nas relações pessoais, e diminuindo substancialmente a qualidade de vida.